quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sociedade do Espetáculo

Pode parecer um tema bem atual e é, mas não é de hoje que esse fenômeno da autoexibição é estudado. Com o avanço das novas tecnologias, claro, esse fenômeno só se "agravou".
Mas por que se exibir? Para que? Por que o olhar do outro é tão valorizado? 
Para muitos estudiosos, tais fenômenos, decorrem da popularização dos meios audiovisuais e do declínio da cultura letrada. A invenção do cinema, no fim do século XIX, e, sobretudo, sua conversão em um meio de comunicação de massa durante a primeira metade do século XX, teria sido um momento de inflexão para a emergência da atual ‘sociedade do espetáculo’.
No hipercapitalismo todas as coisas se transformam em imagem. Em uma sociedade do espetáculo as relações pessoais são organizadas no sentido de uma avassaladora troca de imagens. Não existe distinção entre aparência e essência: na sociedade do espetáculo a aparência torna-se o mais importante.
Ao longo do século 20, vários pensadores se dedicaram a compreender esse “fetiche” da mercadoria utilizando vários instrumentais teóricos e metodológicos. É nessa tradição que “A sociedade do espetáculo” está. O aspecto material da mercadoria não é o mais importante: a imagem da mercadoria é o fator determinante na sociedade.
Guy Debord afirma que no início do capitalismo houve uma passagem do ser para o ter. No hipercapitalismo há uma nova transformação só que do ter para o parecer. O domínio do parecer é domínio da visualidade. Debord parece pensar uma sociedade do espetáculo como um conjunto de relações sociais mediadas pela imagem.
A distribuição das imagens espetaculares acontece em todos os lugares do cotidiano, mas multiplica seu alcance nas redes eletrônicas – a mídia é o lugar de intersecção e redistribuição das imagens espetaculares em direções variadas no espaço e no tempo. Se é possível aplicar a idéia de sociedade do espetáculo à crítica da mídia, é como um espaço de concentração –distribuição de imagens que prolonga um elemento presente na vida cotidiana. Os meios de comunicação, para Debord, podem ser entendidos como expressão última ou um canal privilegiado de expressão das imagens construídas no meio social. A mídia não é responsável pela sociedade do espetáculo; é um dos caminhos do espetáculo, possivelmente o mais poderoso, mas não o único.
De algum modo, essa egolatria e essa espetacularização que hoje proliferam na autoexibição via internet ou nos reality shows e que, em outras épocas seria considerada falta de elegância e de pudor ou, até mesmo, deplorada como um tipo de patologia mental, a ‘megalomania’, hoje, se tornou habitual. Em um ambiente altamente competitivo, no qual primam a eficácia e a performance visível de cada um, e no qual a celebridade se transformou em um fim em si mesmo e por todos desejado, poderíamos pensar que a autoexposição se tornou um recurso necessário para sobreviver. Ou seja, é preciso saber ‘se vender’, posicionar o ‘eu’ como boa marca no concorrido mercado das aparências, cultivar constantemente a própria imagem; tudo isso porque é necessário conquistar a visibilidade para poder ‘ser alguém’.

Priscilla Aguiar

Sociedade contemporânea: Necessidade ou exigência da exposição?


Contemporaneamente vivemos em uma sociedade onde tudo se vê, e o sinônimo disso na grande verdade é: Satisfazer o olhar de outro. O resultado do olhar do outro resulta em julgamento, seja ele negativo ou positivo. Se for negativo, logo será explanado, então o sujeito observado trata logo de se modificar para fazer o outro pensar ao contrário. Se esse julgamento por acaso de inicio já for positivo, com certeza é resultado da neurose, de preocupação do que podem pensar de quem se expõe. Mas porque o olhar do outro é tão importante assim? A resposta é simples, todos os seres gostam de ser bem vistos, á principio o que mais vale é boa aparência, depois ser visto como inteligente como bem sucedido financeiramente e assim por adiante.
É como um casamento que vive somente de aparência, a fim de quê ninguém note o quê é realmente verdade.
O que era privado antigamente, hoje em dia se tornou fator decisivo para resolver que rumo levará sua posição social.
Será que o sentido do meu eu está no que eu penso e no quê eu realmente sou? É difícil firmar uma opinião que não se modifique com relação a isso. Mas uma coisa pode se afirmar, nem sempre mostramos o nosso eu como ele realmente é, e então focamos em um ideal, um desejo, seja ele físico, financeiro, estético de que almejamos ser, e lançamos ao olhar do outro como se isso fosse representasse o verdadeiro eu.
Se na sociedade moderna as mães de bebezinhos colocavam neles pingentes com o intuito de afastar o mal olhado, atualmente elas usam os bebes como atrações, andam cada vez mais bem arrumadas, com os melhores vestidos e carrinhos de ultima geração. Para quê? Para atrair o olhar do outro e o fazer pensar que aquela criança é muito bem cuidada, que os seus pais têm uma boa condição financeira entre outros, parece cômico, mas é a pura realidade do comportamento humano.
A crescente exposição da vida íntima se tornou um modo de viver natural, quase uma obrigação que é cumprida sem que as pessoas percebam. Essa obrigação muitas vezes requer mudanças, para atender a expectativa do “olho observador”. Um outro exemplo da ditadura da exposição e atração alheia que podemos citar é o da Geyse Arruda, aquela menina que foi discriminada por causa do vestido curto em uma faculdade de São Paulo. Ao ficar conhecida ela tratou logo de mudar o corpo, o cabelo e a estática facial, ganhou algumas cirurgias e com o rosto modificado e o corpo recauchutado ela fez uma ensaio nu para uma revista de grande publico masculino. Mas porque ela teve que mudar tanta coisa em si para sair numa revista? Porque ela não poderia sair na revista exatamente da maneira que ela é? A resposta é clara. Simplesmente porque o olhar de quem a espera exige que seja assim exatamente assim, e mesmo que saibam de tanta plástica, quem vê enxerga como uma imagem real, pois se foi produzido e está pronto, é real.
Referindo-se também a uma outra questão, é que, ao mesmo tempo em que a sociedade clama por plena segurança, ela se expõe no orkut, nos blogs, no facebook, etc.
Na verdade esse ensejo de segurança não precisa ser real, é só fazer o sujeito pensar que está seguro em sua casa com grades, em seu carro blindado, mas só que der repente em um só ato de força tudo pode se perder, com uma bala perdida, por exemplo, e toda idéia de segurança é perdida.
Mas se a pessoa posta várias fotos lindas de biquíni no orkut, ou fotos dentro de um lindo carro importado, causará uma ótima impressão no olhar curioso e observador de quem vê. Mesmo que a pessoa não seja linda e a foto tenha sido alterada, nada vai mudar a impressão que foi causada, pois a imagem está ali, a imagem é real, e ali ficará até quando o individuo quiser. O que é privado agora não é mais, e o fato de se transformar ao é visto como uma mentira, pois isso é uma exigência da sociedade e essa exigência é completamente real.

Paula Soares

Segurança e privacidade nas Revoluções Tecnológicas: Dá para conciliar?

A invasão ou não da privacidade provocada pelas câmeras de segurança instaladas nas ruas não geram tanta polêmica quanto o projeto Eyerborg do cineasta Rob Spence que pretende denunciar com as imagens obtidas através de uma Câmera incorporada em uma prótese ocular, a fragilidade do nosso direito à privacidade, na medida em que os serviços de segurança aumentam a vigilância em nossas sociedades modernas.
            A instalação e a estadia dessas câmeras nas vias públicas não foi pedida a ninguém. Elas simplesmente estão ali e as imagens que capturam não têm destino divulgado. Outro problema a que estamos sujeitos é a má interpretação das imagens. A ação capturada na filmagem pode ser facilmente mal interpretada. Encontros casuais podem tornar-se supostamente planejados, e a imagem é clara e evidente com relação a esse momento. Mas é cega e ignorante em relação ao contexto que levaram as pessoas àquele lugar. Como por  exemplo, seja você um artista que tenha conhecido na infância alguém que enveredou pelo tráfico de drogas, esse flagrante poderá arruinar sua imagem.
            Toda pessoa que anda nas ruas está sujeita a encontrar diversas outras. A má interpretação de encontros pode acabar com uma reputação construída durante anos. Esse é um ponto de vista, que condena as câmeras nas vias publicas, defendido por algumas pessoas e tem um certo grau de verdade. Mas discordo com a idéia de que é um erro essas câmeras estarem ali. Afinal de contas, não é somente uma imagem de filmadora que pode ser mal interpretada. E se um fotógrafo bater uma foto de você com esse antigo amigo que hoje é traficante?
            Mas os responsáveis em segurança pública esclarecem o real objetivo das câmeras e a confusão entre a sua utilização e a invasão de privacidade. “ Essa tecnologia não pode ser vista como um olho de um “xereta”, esperando para flagrar um erro de pessoas “de bem”. Para posteriormente acabar com a sua vida. Ela não está ali para simplesmente filmar. Os governos instalam esses equipamentos para tentar garantir a segurança das pessoas que transitam em locais com grande índice de assaltos. As câmeras tentam substituir,  a falta de policiais. Estão ali realmente para serem olhos, mas os olhos da lei. A não divulgação do destino das imagens  pode ser  um erro. Mas essa é uma tecnologia que está a serviço da sociedade”. Declara José Beltrame – Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro
            Um exemplo de verdadeira invasão de privacidade é o projeto Echelon. Esse projeto é controlado pela Agência de Segurança da América Nortista(NSA) e por seus sócios (Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia). Ele tem como principal objetivo interceptar todas as comunicações mundiais em quaisquer locais do Planeta – sejam essas conversas telefônicas, faxes, mensagens de pagers ou qualquer outra modalidade de comunicação. Esse projeto é uma estrutura que vigia a todos. Mas que diferentemente das câmeras instaladas com o objetivo de um bem comum, proteger as pessoas, o Echelon pratica a mais simples e pura espionagem.
            O grande fato é que vivemos um momento de transição. Um momento histórico no qual as tecnologias renovam-se a cada dia. Por isso, as pessoas também devem se seguir esse ritmo. Essa renovação tem der em suas consciências e hábitos. E não somente na forma como se relacionam com outras pessoas, seja através de seus e-mails, Msn ou telefones. A sociedade tem de evoluir junto com as novas tecnologias. As pessoas não podem manter-se com hábitos antigos, sendo que o mundo em que vivem é altamente mutável.   Da mesma forma que antigamente era possível dormir com as janelas abertas, hoje é inviável. E por isso as pessoas fecham suas janelas e portas antes de repousarem em frente à suas televisões digitais. A conciliação da privacidade com as revoluções tecnológicas é possível. A sociedade tem de compreender que os problemas não ocorrem somente em virtude da tecnologia. É em virtude da violência que as pessoas são filmadas nas ruas.


O vídeo a seguir mostra uma babá que foi presa ao ser flagrada agredindo um bebê



Postado Por Rosana Mota

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Câmeras: Invasão ou não de privacidade?


Depois de perder um dos olhos em um acidente, o cineasta Rob Spence observando a câmera do seu telefone celular, teve a idéia de colocar uma câmara sem fios na sua prótese. Ele criou junto com Kosta Grammatis um projeto chamado EyeBorg- como já foi dito no primeiro post- e com isso estão tentando fazer história, substituindo o olho por uma câmera de vídeo sem fios e um transmissor em uma prótese ocular. Spence a primeira pessoa a testar essa prótese e com isso faz um documentário utilizando o olho cyborg, que teve a estréia no Museu de Melbourne. Mas para Rob, esse olho e mais do que uma ferramenta de produção cinematográfica única e nova perspectiva que foi criado: é um sinal das coisas por vir. Em uma entrevista Spence diz: "Estamos no alvorecer da era pós-humano. "Estamos a mudar profundamente. Tudo começou com a gente vestindo roupas e então foi para os óculos e pacemakers e iPhones”. "Estou reduzindo isso um pouco de um truque, eu suponho. Mas eu não me levo muito a sério", acrescenta. Após Spence revelar a sua idéia de filmar tudo o que ver, esse projeto vem gerando muita polêmica na sociedade. Apesar de as pessoas estarem vigiadas o tempo todo, por onde andam são filmadas cinco ou seis vezes por câmeras de segurança. Elas dizem não se sentirem bem, conversando com alguém que sabem que está filmando- as. Porém Rob Spence só ta mostrando o que a todo tempo pode ser visto por câmeras de vigilância.
Hoje na sociedade não existe mais privacidade ao andar na rua, as pessoas estão sendo vigiadas 24 horas. Por onde passam existem tecnologias móveis posicionadas em pontos estratégicos da cidade e associadas a conexões em rede, como instrumentos de valorização do local e da mobilidade. Essa privacidade é tirada, não só por câmeras de vigilância, mas também por qualquer tipo de tecnologia. Pode se usar o aparelho celular, sites e programas de reality shows.  O aparelho celular, é uma das ferramentas tecnológicas mais populares nesse sentido e possuem excelente qualidade de resolução e com um desses dispositivos à mão, é só apontar, clicar e pronto. Tem-se um registro em foto ou vídeo, os chamados “flagras”. Muitos paparazzi têm adotado este artifício, na disputa para conseguir os melhores clicks e maiores flagras de famosos. Os realities shows, como por exemplo: A Fazenda, Ídolos, Casa dos Artistas e Big Brother, são programas compostos em sua estrutura por um número X de participantes e que durante algum período disputam não apenas o prêmio final, mas também o carisma do telespectador. Os programas permitem ao espectador analisar e avaliar a partir de várias câmeras o comportamento do participante no jogo. Como a invasão é consciente tanto para quem vê quanto para quem é visto, os participantes acabam vestindo uma máscara, assumindo uma postura divergente da própria. Já na internet, utilizam-se os sites de relacionamento como: Google, Facebook, o Orkut, You Tube entre outros. Essa tecnologia, é a quebra das fronteiras entre o privado e o coletivo, o permitido e o invasivo que é discutida em Invasão de privacidade. Por um lado essa invasão é ruim, pois tira a privacidade e restringe o movimento do indivíduo, mas por outro essas câmeras auxiliam na segurança pública.

Postado Por Ana Julia Carneiro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Da vigilância panóptica à vigilância distribuída

Não poderíamos falar de vigilância sem falar do panóptico.
O dispositivo panóptico, descrito por Michel Foucault em Vigiar e Punir, constitui uma máquina, idealizada por Geremy Bentham no século XVIII, cuja arquitetura é formada por uma torre central e uma construção circular periférica. Nesta se encontram indivíduos a serem vigiados – prisioneiros, loucos, escolares, trabalhadores, isolados em células, formando “uma coleção de individualidades separadas” – enquanto naquela se encontram os vigias. As salas da construção periférica são determinadas por janelas externas (por onde entra a luz) e por janelas internas (frente à torre central). E é justamente essa a eficiência do dispositivo panóptico: “ver sem ser visto”; à torre é possível ver tudo o que acontece no prédio externo, ao passo que este nem sabe se é, ou não, vigiado.  Assim, este dispositivo tornou-se o paradigma dos sistemas sociais de controle e vigilância total. Nas sociedades atuais, o princípio do panóptico continua plenamente ativo, eu diria até, mais ativo do que nunca. Mas agora se exerce nas novas formas de controle que vieram junto com as novas tecnologias. Com isso acontece uma passagem da vigilância panóptica para a vigilância distribuída como propõe Fernanda Bruno. Trata-se de uma vigilância que tende a se tornar incorporada a diversos dispositivos, serviços e ambientes que usamos cotidianamente, mas que se exerce de modo descentralizado, diferente do modelo panótico. Entendendo as tecnologias móveis, associadas a conexões em rede, como instrumentos de valorização do local e da mobilidade, pode-se discutir como elas permitem funcionar de forma a cooperar com uma vigilância distribuída. Para Fernanda Bruno tais tecnologias participam de uma série de transformações no modo como os indivíduos constituem a si mesmos a partir da relação com o olhar do outro, das táticas do ver e do ser visto. A vigilância agora está em todo lugar. "É preciso que tudo se torne visível para que se possa não mais vigiar e punir - como no panóptico -, mas espiar e premiar, controlar e estimular, constranger e liberar" (Ilana Feldman).

Postado Por Priscilla Aguiar

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Rob Spence: filmando a vida através de uma prótese ocular


Rob Spence é um cineasta canadense, de 37 anos.  Aos treze se acidentou e perdeu um olho ao brincar com a espingarda do seu avô. Mesmo assim construiu uma carreira, como produtor, nessa profissão em que o olhar é quase tudo. Agora o diretor pretende transformar essa deficiência em vantagem. Rob Spence prepara um documentário sobre a expansão das câmaras de vigilância na vida cotidiana do cidadão. Um procedimento pioneiro e curioso pretende impulsionar essa iniciativa. Spence decidiu reunir uma equipe de engenheiros e oftalmologistas com o objetivo de elaborar uma prótese ocular que incorpore uma câmera em miniatura que o permita registrar e transmitir tudo que observa. Seu projeto chama-se Eyeborg.

Spence destaca ao diário espanhol El Mundo que o projeto pretende denunciar com as imagens obtidas “a fragilidade do nosso direito à privacidade, na medida em que os serviços de segurança aumentam a vigilância em nossas sociedades modernas”. Segundo ele a sociedade caminha adormecida e todos os movimentos são controlados e vigiados. Ele vai entrevistar as pessoas sobre o que elas acham de estarem sendo espionadas o tempo todo, muitas vezes sem saberem – e elas estarão sendo espionadas durante esse processo! O realizador acrescentou que ninguém saberá, de antemão, que está a ser filmado, mas que, posteriormente, todos serão informados e terão que dar autorização para serem incluídos no filme.

Indagado pela Agência Reuters Spence mostrou-se surpreso por existirem cerca de 12 mil câmeras de vigilância na cidade de Toronto. “Mas o mais estranho é que descobri que as pessoas não se preocupam com as câmeras, mas estavam mais preocupadas comigo e com a minha câmera secreta no olho, porque pensam que é uma grande invasão de privacidade”.

O objetivo do documentário é discutir essas questões de privacidade e entender porque cada vez mais as pessoas se fecham dentro de condomínios fechados, com cercas elétricas e carros blindados, e ao mesmo tempo nunca a vida das pessoas esteve tão exposta, como está hoje, com a internet.

 

 

Quem quiser saber um pouco mais sobre o projeto clique aqui

 

Postado Por Priscilla Aguiar