quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Da vigilância panóptica à vigilância distribuída

Não poderíamos falar de vigilância sem falar do panóptico.
O dispositivo panóptico, descrito por Michel Foucault em Vigiar e Punir, constitui uma máquina, idealizada por Geremy Bentham no século XVIII, cuja arquitetura é formada por uma torre central e uma construção circular periférica. Nesta se encontram indivíduos a serem vigiados – prisioneiros, loucos, escolares, trabalhadores, isolados em células, formando “uma coleção de individualidades separadas” – enquanto naquela se encontram os vigias. As salas da construção periférica são determinadas por janelas externas (por onde entra a luz) e por janelas internas (frente à torre central). E é justamente essa a eficiência do dispositivo panóptico: “ver sem ser visto”; à torre é possível ver tudo o que acontece no prédio externo, ao passo que este nem sabe se é, ou não, vigiado.  Assim, este dispositivo tornou-se o paradigma dos sistemas sociais de controle e vigilância total. Nas sociedades atuais, o princípio do panóptico continua plenamente ativo, eu diria até, mais ativo do que nunca. Mas agora se exerce nas novas formas de controle que vieram junto com as novas tecnologias. Com isso acontece uma passagem da vigilância panóptica para a vigilância distribuída como propõe Fernanda Bruno. Trata-se de uma vigilância que tende a se tornar incorporada a diversos dispositivos, serviços e ambientes que usamos cotidianamente, mas que se exerce de modo descentralizado, diferente do modelo panótico. Entendendo as tecnologias móveis, associadas a conexões em rede, como instrumentos de valorização do local e da mobilidade, pode-se discutir como elas permitem funcionar de forma a cooperar com uma vigilância distribuída. Para Fernanda Bruno tais tecnologias participam de uma série de transformações no modo como os indivíduos constituem a si mesmos a partir da relação com o olhar do outro, das táticas do ver e do ser visto. A vigilância agora está em todo lugar. "É preciso que tudo se torne visível para que se possa não mais vigiar e punir - como no panóptico -, mas espiar e premiar, controlar e estimular, constranger e liberar" (Ilana Feldman).

Postado Por Priscilla Aguiar

Nenhum comentário:

Postar um comentário