quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Segurança e privacidade nas Revoluções Tecnológicas: Dá para conciliar?

A invasão ou não da privacidade provocada pelas câmeras de segurança instaladas nas ruas não geram tanta polêmica quanto o projeto Eyerborg do cineasta Rob Spence que pretende denunciar com as imagens obtidas através de uma Câmera incorporada em uma prótese ocular, a fragilidade do nosso direito à privacidade, na medida em que os serviços de segurança aumentam a vigilância em nossas sociedades modernas.
            A instalação e a estadia dessas câmeras nas vias públicas não foi pedida a ninguém. Elas simplesmente estão ali e as imagens que capturam não têm destino divulgado. Outro problema a que estamos sujeitos é a má interpretação das imagens. A ação capturada na filmagem pode ser facilmente mal interpretada. Encontros casuais podem tornar-se supostamente planejados, e a imagem é clara e evidente com relação a esse momento. Mas é cega e ignorante em relação ao contexto que levaram as pessoas àquele lugar. Como por  exemplo, seja você um artista que tenha conhecido na infância alguém que enveredou pelo tráfico de drogas, esse flagrante poderá arruinar sua imagem.
            Toda pessoa que anda nas ruas está sujeita a encontrar diversas outras. A má interpretação de encontros pode acabar com uma reputação construída durante anos. Esse é um ponto de vista, que condena as câmeras nas vias publicas, defendido por algumas pessoas e tem um certo grau de verdade. Mas discordo com a idéia de que é um erro essas câmeras estarem ali. Afinal de contas, não é somente uma imagem de filmadora que pode ser mal interpretada. E se um fotógrafo bater uma foto de você com esse antigo amigo que hoje é traficante?
            Mas os responsáveis em segurança pública esclarecem o real objetivo das câmeras e a confusão entre a sua utilização e a invasão de privacidade. “ Essa tecnologia não pode ser vista como um olho de um “xereta”, esperando para flagrar um erro de pessoas “de bem”. Para posteriormente acabar com a sua vida. Ela não está ali para simplesmente filmar. Os governos instalam esses equipamentos para tentar garantir a segurança das pessoas que transitam em locais com grande índice de assaltos. As câmeras tentam substituir,  a falta de policiais. Estão ali realmente para serem olhos, mas os olhos da lei. A não divulgação do destino das imagens  pode ser  um erro. Mas essa é uma tecnologia que está a serviço da sociedade”. Declara José Beltrame – Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro
            Um exemplo de verdadeira invasão de privacidade é o projeto Echelon. Esse projeto é controlado pela Agência de Segurança da América Nortista(NSA) e por seus sócios (Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia). Ele tem como principal objetivo interceptar todas as comunicações mundiais em quaisquer locais do Planeta – sejam essas conversas telefônicas, faxes, mensagens de pagers ou qualquer outra modalidade de comunicação. Esse projeto é uma estrutura que vigia a todos. Mas que diferentemente das câmeras instaladas com o objetivo de um bem comum, proteger as pessoas, o Echelon pratica a mais simples e pura espionagem.
            O grande fato é que vivemos um momento de transição. Um momento histórico no qual as tecnologias renovam-se a cada dia. Por isso, as pessoas também devem se seguir esse ritmo. Essa renovação tem der em suas consciências e hábitos. E não somente na forma como se relacionam com outras pessoas, seja através de seus e-mails, Msn ou telefones. A sociedade tem de evoluir junto com as novas tecnologias. As pessoas não podem manter-se com hábitos antigos, sendo que o mundo em que vivem é altamente mutável.   Da mesma forma que antigamente era possível dormir com as janelas abertas, hoje é inviável. E por isso as pessoas fecham suas janelas e portas antes de repousarem em frente à suas televisões digitais. A conciliação da privacidade com as revoluções tecnológicas é possível. A sociedade tem de compreender que os problemas não ocorrem somente em virtude da tecnologia. É em virtude da violência que as pessoas são filmadas nas ruas.


O vídeo a seguir mostra uma babá que foi presa ao ser flagrada agredindo um bebê



Postado Por Rosana Mota

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