quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sociedade contemporânea: Necessidade ou exigência da exposição?


Contemporaneamente vivemos em uma sociedade onde tudo se vê, e o sinônimo disso na grande verdade é: Satisfazer o olhar de outro. O resultado do olhar do outro resulta em julgamento, seja ele negativo ou positivo. Se for negativo, logo será explanado, então o sujeito observado trata logo de se modificar para fazer o outro pensar ao contrário. Se esse julgamento por acaso de inicio já for positivo, com certeza é resultado da neurose, de preocupação do que podem pensar de quem se expõe. Mas porque o olhar do outro é tão importante assim? A resposta é simples, todos os seres gostam de ser bem vistos, á principio o que mais vale é boa aparência, depois ser visto como inteligente como bem sucedido financeiramente e assim por adiante.
É como um casamento que vive somente de aparência, a fim de quê ninguém note o quê é realmente verdade.
O que era privado antigamente, hoje em dia se tornou fator decisivo para resolver que rumo levará sua posição social.
Será que o sentido do meu eu está no que eu penso e no quê eu realmente sou? É difícil firmar uma opinião que não se modifique com relação a isso. Mas uma coisa pode se afirmar, nem sempre mostramos o nosso eu como ele realmente é, e então focamos em um ideal, um desejo, seja ele físico, financeiro, estético de que almejamos ser, e lançamos ao olhar do outro como se isso fosse representasse o verdadeiro eu.
Se na sociedade moderna as mães de bebezinhos colocavam neles pingentes com o intuito de afastar o mal olhado, atualmente elas usam os bebes como atrações, andam cada vez mais bem arrumadas, com os melhores vestidos e carrinhos de ultima geração. Para quê? Para atrair o olhar do outro e o fazer pensar que aquela criança é muito bem cuidada, que os seus pais têm uma boa condição financeira entre outros, parece cômico, mas é a pura realidade do comportamento humano.
A crescente exposição da vida íntima se tornou um modo de viver natural, quase uma obrigação que é cumprida sem que as pessoas percebam. Essa obrigação muitas vezes requer mudanças, para atender a expectativa do “olho observador”. Um outro exemplo da ditadura da exposição e atração alheia que podemos citar é o da Geyse Arruda, aquela menina que foi discriminada por causa do vestido curto em uma faculdade de São Paulo. Ao ficar conhecida ela tratou logo de mudar o corpo, o cabelo e a estática facial, ganhou algumas cirurgias e com o rosto modificado e o corpo recauchutado ela fez uma ensaio nu para uma revista de grande publico masculino. Mas porque ela teve que mudar tanta coisa em si para sair numa revista? Porque ela não poderia sair na revista exatamente da maneira que ela é? A resposta é clara. Simplesmente porque o olhar de quem a espera exige que seja assim exatamente assim, e mesmo que saibam de tanta plástica, quem vê enxerga como uma imagem real, pois se foi produzido e está pronto, é real.
Referindo-se também a uma outra questão, é que, ao mesmo tempo em que a sociedade clama por plena segurança, ela se expõe no orkut, nos blogs, no facebook, etc.
Na verdade esse ensejo de segurança não precisa ser real, é só fazer o sujeito pensar que está seguro em sua casa com grades, em seu carro blindado, mas só que der repente em um só ato de força tudo pode se perder, com uma bala perdida, por exemplo, e toda idéia de segurança é perdida.
Mas se a pessoa posta várias fotos lindas de biquíni no orkut, ou fotos dentro de um lindo carro importado, causará uma ótima impressão no olhar curioso e observador de quem vê. Mesmo que a pessoa não seja linda e a foto tenha sido alterada, nada vai mudar a impressão que foi causada, pois a imagem está ali, a imagem é real, e ali ficará até quando o individuo quiser. O que é privado agora não é mais, e o fato de se transformar ao é visto como uma mentira, pois isso é uma exigência da sociedade e essa exigência é completamente real.

Paula Soares

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